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Arquidiocese Sant’Ana de Botucatu
A Diocese de Botucatu foi criada no dia 07 de junho de 1908 pela Bula “Diocesium nimiam amplitudinem”, do Papa São Pio X, desmembrada da então Diocese de São Paulo, que nessa ocasião passa a ser Arquidiocese, tendo como Dioceses sufragâneas: Botucatu, Campinas, Ribeirão Preto, São Carlos do Pinhal e Taubaté.
A Diocese de Botucatu abrangia a metade longitudinal da Estado de São Paulo (Tietê-Paranapanema; Rio Paraná e Oceano Atlântico). A outra metade do Estado era dividida entre as quatro Dioceses, sendo que a capital ficou como sede de uma nova Província Eclesiástica.
Criada a Diocese de Botucatu, foi nomeado o seu primeiro Bispo, D. Lúcio Antunes de Souza, oriundo de Minas, que tomou posse da nova Diocese em 20 de fevereiro de 1909.
Com o passar dos anos, essas novas Dioceses foram sendo desmembradas em muitas outras, de modo que, em 19 de abril de 1958, pela Bula “Sacrorum Antistitum”, do Papa Pio XII, a Diocese de Botucatu foi elevada a Arquidiocese e Sede Metropolitana, sendo instalada no ano seguinte, a 12 de abril de 1959, tendo como seu primeiro Arcebispo, Dom Frei Henrique Golland Trindade. Além de Botucatu, foram também elevadas a Arquidiocese, as Dioceses de Campinas, Ribeirão Preto e Aparecida.
De Botucatu, como Diocese criada em 1908, originaram-se, por desdobramento, as Dioceses de Sorocaba, Lins e Assis e de Botucatu com Arquidiocese, as Dioceses de Bauru, Itapeva e Ourinhos. Hoje, a Arquidiocese de Botucatu possui 42 Paróquias e está dividida em quatro Regiões Pastorais (RPs): Botucatu (RP1); Avaré (RP2); Laranjal Paulista (RP3) e Lençóis Paulista (RP4).
A Região Pastoral de Botucatu é composta das seguintes Paróquias: Paróquia Sant’Ana (Catedral), Paróquia São Benedito, Paróquia Sagrado Coração de Jesus, Paróquia Nossa Senhora Menina, Paróquia Menino Deus, Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, Paróquia São Pio X, Paróquia Santo Antônio de Rubião Júnior, Paróquia Nossa Senhora Aparecida, Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima, Paróquia Divino Espírito Santo (em Pardinho), Paróquia São João Batista (em Itatinga).
A história da Catedral de Sant'Ana está intimamente ligada à história de Botucatu.
Segundo escritos, por causa de uma ação judicial por disputa de terras na região de Botucatu, foi firmado um acordo em 23/12/1843 para que a Padroeira da Freguesia passasse de Nossa Senhora das Dores de Cima da Serra para Sant'Ana de Cima da Serra. Assim, nesse ano de 1843, o pequeno povoado passou à categoria de Freguesia, em 1846 a Distrito de Paz e, finalmente, em 14/04/1855, foi elevado à categoria de Vila.
Sob a proteção de Sant'Ana a vila se fez cidade, cresceu e se tornou Diocese em 07/06/1908 e Arquidiocese em 11/04/1959.
Sant'Ana teve, em Botucatu, três templos a ela dedicados:
1. No pequeno povoado, na confluência das Av. Floriano Peixoto e Petrarca Bachi, atualmente Praça Coronel Moura (Paratodos), nasceu a "cappella", que depois foi transformada em primeira matriz. Ao pé primeira matriz, nasceu a cidade. 2. A nova matriz, nos altos da cidade, atualmente Praça Rubião Júnior, sagrada em 25/12/1892, chamada de "Catedral Velha". 3. A "Nova Catedral" nasceu próxima à velha, na mesma praça, tendo sido inaugurada em 08/12/1943.
A Pedra Fundamental da construção do atual templo foi lançada em 08/12/1927 pelo então 2º bispo da Diocese, D. Carlos Duarte da Costa.
Depois de inúmeras dificuldades e do envolvimento da comunidade em campanhas, festas, quermesses, chás beneficentes e doações constantes para o término da obra, aconteceu a solene inauguração da Catedral (embora ainda não totalmente concluída) sob o bispado de D. Frei Luiz Maria de Sant'Ana em 08/12/43. Em 1945 concluem-se as obras da cripta; em 1956 intensifica-se a campanha para a construção das escadarias e em 01/04 do mesmoano há a Sagração solene dos sinos; em 1959, D. Henrique inicia a reforma da catedral, cuja Sagração se deu a 30/08/64, presidida pelo Núncio Apostólico D. Sebastião Baggio; em 27/11/1965 foi elevada à categoria de Basílica Menor de Sant'Ana, pelo Papa Paulo VI, sendo a primeira do Brasil, como Basílica, dedicada a Sant'Ana.
Recentemente a Catedral passou por novas reformas e hoje, com a participação da comunidade (de maneira especial na devolução do Dízimo), realizam-se trabalhos de manutenção do templo e de formação espiritual para a reforma integral do homem.
Dia 26 de julho é o dia de Sant'Ana, festejado pela Igreja Católica no mundo inteiro.
Para Botucatu, esse dia é mais do que comemoração religiosa: Sant'Ana é parte de sua História onde é lembrado um passado de glórias e se revive suas origens de vila e idade.
Catedral - Nossa História
É a Principal edificação do chamado centro histórico. Seu projeto tem sua assinatura pelo Cav. J. Sachetti e se assemelha muito a catedral da Sé de São Paulo, que também leva a assinatura do mesmo engenheiro.
Sua construção se deu devido ao precário estado de conservação da antiga Catedral (Construção de 1.893).
A 08 de dezembro de 1.927, dois anos após sua chegada a Botucatu, Dom Carlos Duarte Costa lançou solenemente a primeira pedra fundamental da nova Catedral de Sant'Ana, com a presença do então Presidente do Estado Júlio Prestes.
Mas foi somente no dia 20 de março de 1.929, após a celebração de uma missa solene no dia anterior, que se deram as escavações para o alicerce da nova Catedral.
No ano de 1.937 a Cripta já se encontrava pronta, e a 06 de setembro de 1.937, os restos mortais de Dom Lúcio Antunes de Souza foram transladados para a nova cripta.
Após a renúncia de Dom Carlos a 06 de outubro de 1.937, a construção da Catedral ainda se encontrava na altura das janelas.
O reinício das obras se deu com a chegada de Dom Frei Luiz Maria de Sant'Ana (3º Bispo de Botucatu). A retomada das obras fora confiada a Construtora Guimarães.
Em apenas 05 anos, com a ajuda da população Dom Frei Luiz consegui levantar, cobrir e terminá-la internamente.
O baldaquino (que já não existe mais) em madeira foi doado pelo Sr. Rodolfo Pasqualin, na época, diretor do laboratório Paulista de Biologia.
As 05 portas em madeira entalhadas, foram doadas pelo industrial Camillo Peditti.
A imagem de Sant'Ana que media 2,20 metros, foi doada pelo ex-prefeito e industrial de Botucatu, Pedro Losi.
O vitral onde está reproduzida a imagem de Sant'Ana, que se encontra no arco da porta central da Catedral, foi gentilmente oferecido pelo Sr. Emílio Pedutti.
Todas as telhas da Catedral foram ofertadas pelo engenheiro Dr. Adolfo Dinucci e o trono episcopal foi oferecido pelo clero da diocese de Botucatu e confeccionado na Escola Industrial.
Embora não totalmente acabada, a nova Catedral de Botucatu foi inaugurada no dia 08 de dezembro de 1.943, dezesseis anos após o lançamento da pedra fundamental.
Naquela manhã do dia 08, às oito horas da manhã, Dom Frei Luiz sagrou a Catedral celebrando em seguida a Santa Missa.
O Dr. Júlio Prestes que foi quem lançou a pedra fundamental em 1.927, também estava presente às solenidades de inauguração.
Já na década de 60, aproveitando o "embalo" do Concílio do Vaticano II, Dom Henrique Golland Trindad (1º Arcebispo de Botucatu) fez uma grande reforma na Catedral mudando totalmente seu interior.
Dom Frei Henrique derrubou todos os altares de mármore, retirou quase todas as imagens, inclusive a grande imagem de Sant'Ana do altar central. Essa imagem foi colocada na Praça ao lado da Catedral em um pedestal, mas durou pouco tempo, sendo totalmente destruída por vândalos.
O Baldaquino foi retirado e o altar-mor foi removido para a Capela do Santíssimo.
Sob o novo altar-mor colocou-se a grande imagem de Jesus Crucificado. Fez também um trono para Nossa Senhora Aparecida, onde o filho do arquiteto contratado para a reforma, moldou em barro algumas estrelas que até hoje compõe o painel de fundo do referido altar.
A Cátedra do Trono Episcopal foi retirada e hoje serve o último altar da Igreja do sagrado coração de Jesus.
Após ter concluído toda essa reforma, Dom Frei Henrique convidou o então núncio Apostólico no Brasil, Dom Sebastião Baggio, para sagrar a Catedral.
A solene Sagração da Catedral Metropolitana de Sant'Ana de Botucatu aconteceu no dia 30 de agosto de 1.964.
Na década de 70, Dom Vicente Marchetti Zioni (2º Arcebispo de Botucatu) também deixou sua marca em nossa Catedral. Em São Paulo, Dom Zioni conheceu o pintor Antônio Pain Filho, um congregado mariano. Reencontrando o pintor depois de muito tempo, veio a saber que o mesmo havia produzido várias obras de arte cujo argumento era Nossa Senhora, dando um toque Brasileiro a elas; pintou dessa forma 40 Madonas Brasileiras. Dom Zioni, impressionado com as pinturas, das 40 mandou fazer 12 em uma firma de vitrais chamada Conrado Sordinaite. Tais vitrais hoje podem ser admirados na Catedral de Botucatu. Estão lá: Madona do Sabiá, Virgem do Maracujá, Madona da Roça, Virgem das Samambaias, Virgem da Orquídea, Virgem do Cruzeiro, Madona do Cafezal, e outras mais.
Entre outras mudanças também removeu o batistério do fundo da Catedral para atrás do altar mor.
Dica: Ao conhecer a Catedral, não se esqueça de visitar a cripta onde estão sepultados os Bispos de Botucatu.
Entendendo a história de Sant’Ana
Joaquim, que era da Galiléia, do povoado de Nazaré, casou-se com Ana, que era de Belém. Ambos eram justos e para cumprir retamente a vontade do Senhor, dividiam em três partes o que ganhavam: uma delas davam ao templo e aos que estavam a serviço do mesmo; outra a davam aos peregrinos e aos pobres, e a terceira guardavam-na para si e para a família.
Durante vinte anos de matrimônio, não tinham tido filhos, e fizeram um voto ao Senhor de que, se lhes desse um descendente, o consagrariam ao seu serviço. Para obter este favor, todos os anos iam a Jerusalém nas três festas principais. No dia da festa da Dedicação, Joaquim subiu a Jerusalém com os da sua tribo e se aproximou com os demais do altar para apresentar a oferenda. Porém, o sacerdote, ao vê-lo, o repeliu com grande indgnação, dizendo-lhe que não tinha o direito de aproximar-se do altar, porque um homem amaldiçoado pela Lei não podia apresentar oferendas ao Senhor: um homem estéril como ele, que não tinha feito crescer o povo de Deus,não podia andar com os que não estavam contaminados com aquela mancha.
Então Joaquim, muito confuso, teve vergonha de voltar para casa, com receio de que os de sua tribo que tinham ouvido as palavras do sacerdote lhe dissessem a mesma coisa. Foi morar com seus pastores e, após ter passado um tempo com eles, um dia quando estava sozinho lhe apareceu um anjo resplandecente e lhe disse: “Eu sou um anjo enviado pelo Senhor para te dizer que tuas preces foram ouvidas e que tuas esmolas subiram até a presença de Deus. Vi a tua vergonha, e ouvi as censuras de esterilidade que te fizeram sem razão. Deus castiga o pecado, e não o que é fruto da natureza. E se ele fechou o ventre de uma mulher para depois torná-lo fecundo de um modo mais maravilhoso, é para dar a conhecer que a criatura que irá nascer então não será fruto da paixão, mas um dom de Deus. Sara, a primeira mulher da tua raça, acaso não teve que suportar o opróbrio da esterilidade até os noventa anos de idade? E não pôs então no mundo Isaac, a quem haviam sido prometidas todas as bênçãos?”
E prosseguem as palavras do anjo, lembrando outros nascimentos inesperados e prometendo, por fim, o nascimento de uma filha, que será a mãe do Filho de Deus.
O tempo de Ana cumpriu-se e no nono mês deu à luz. Perguntou à parteira: A quem dei à luz? A parteira respondeu: Uma menina.
Então Ana exclamou: Minha alma foi enaltecida.
E reclinou a menina no berço.
Ao fim do tempo marcado pela lei, Ana purificou-se, deu o peito à menina e pôs-lhe o nome de Maria. Dia a dia a menina ia robustecendo-se. Ao chegar aos seis meses, sua mãe deixou-a só no chão, para ver se sustentava-se de pé. Ela, depois de andar sete passos, voltou ao regaço de sua mãe.
Esta levantou-se, dizendo: Salve o Senhor! Não andarás mais por este solo, até que te leve ao templo do Senhor. Fez-lhe um oratório em sua casa e não consentiu que nenhuma coisa vulgar ou impura passasse por suas mãos. Chamou, além disso, umas donzelas hebréias, todas virgens, para que a entretivessem.
Ao chegar aos três anos, disse Joaquim: Chama as donzelas hebréias que não têm mancha e que tomem, duas a duas, uma candeia acesa e a acompanhem, para que a menina não olhe para trás e seu coração seja cativado por alguma coisa fora do templo de Deus. Assim fizeram enquanto iam subindo ao templo de Deus. Lá recebeu-a o sacerdote, o qual, depois de tê-la beijado, abençoou-a e exclamou: O Senhor engrandeceu teu nome diante de todas as gerações, pois que, no final dos tempos, manifestará em ti sua redenção aos filhos de Israel. Fê-la sentar-se no terceiro degrau do altar. O Senhor derramou graças sobre a menina, que dançou cativando toda a casa de Israel. Saíram, então, seus pais, cheios de admiração, louvando ao Senhor Deus porque a menina não havia olhado para trás.
Maria permaneceu no templo como uma pombinha, recebendo alimento pelas mãos de um anjo.
Certamente esta história é inspirada nos relatos do Antigo Testamento e também no Novo Testamento, e carece de valor histórico. Mas pode nos ensinar algumas coisas. Além das curiosidades (por exemplo, tradições como a que Joaquim era rico, com pastores a seu serviço, ou que Ana não era de Nazaré, mas de Belém), vale a pena fixarmo-nos num par de afirmações que destacam aspectos importantes de sua vida de homem fiel.
A primeira delas, muito clara, é sua consciência de que a riqueza tem que ser distribuída. De tudo quanto possuem, de tudo quanto ganham, Joaquim e Ana só retêm a terça parte. As outras duas partes vão para onde têm que estar os interesses básicos de quem quer ser fiel a Deus: de um lado, para os pobres; de outro lado, para a vida religiosa. A mensagem é clara: Deus, para agir, precisa que o homem tenha um espírito de justiça e de generosidade, que esteja convicto de que aquilo que alguém possui é para o bem de todos, e que demonstre isso com fatos concretos. É a partir disso que Deus pode realizar a sua obra salvadora. A segunda afirmação é um convite para não querer intervenções sobrenaturais (positivas ou negativas) nas coisas que acontecem na vida e, por conseguinte, para não recusar ninguém por sofrer alguma desgraça, seja de que espécie for, nem para ficar deslumbrado perante ninguém por ter obtido êxitos de qualquer espécie.
Mas, muito pelo contrário, o anjo convida a lembrar, mais uma vez, que Deus está mais próximo dos que sofrem. |
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